How appropriate. You fight like a cow. — Guybrush Threepwood

01 mar 2010
Autor
diegogc
Categoria
Start Pausa

Start Pausa #40a Castlevania SoftN

Olá gamers de todas as eras! Sejam muito bem vindos a primeira parte da quadragésima  Start Pausa aqui no NowLoading!

Sim meus caros leitores, para comemorar a nossa edição de número 40 essa Start Pausa terá duas partes, mas fiquem tranquilos que será rápido, pois amanhã mesmo a segunda parte estará aqui no site!

A história dessa semana do nosso ouvinte/leitor Lucas 2099 que nos escreveu a sua grandiosa saga (e bota grandiosa nisso) em Castlevania: Symphony of the Night, onde ele se diz ter se transformado com esse jogo em um gamer hardcore, graças a falta de uma simples “pecinha que salvava”.  Confiram! E não esqueçam, amanhã tem mais!

Mas e você? Não quer contribuir também? A vida dessa coluna depende de vocês! Estejam convidados a participar com seus relatos, mandando e-mails para diego@nowloading.com.br.

Game: Castlevania: Symphony of the Night
Desenvolvedora: Konami
Gênero: Plataforma/Aventura
Console: PS1
Player: Lucas Antônio Cerqueira

Interior de Goiás. Final de 1998. Playstation adquirido há pouco tempo. Apenas jogos de luta. Sem grana para memory card. Me deparei com Castlevania: Symphony of the Night. Eu me tornaria um gamer hardcore.

Eu estava muito empolgado quando coloquei Castlevania: Symphony of the Night pela primeira vez no meu Playstation. Logo no início me deparei com a tela inicial que prendeu minha atenção, um fundo em pedra com alguns relevos entalhados com o título “Castlevania” escrito sobre um logo vermelho. Havia também algumas sombras de folhagens que vez ou outra se mexiam e davam a impressão de um lugar antigo, que começava a ser coberto pela vegetação. Admirei essa tela inicial por uns quatro ou cinco segundos, e acreditem, isso era muito tempo.

Apesar de tudo isso, o que mais me chamou a atenção foi a música que tocava nesse menu, uma espécie de coral de igreja cantando o que parecia ser uma música religiosa, prestei atenção na música por algum tempo antes de começar o jogo.

Die Monster, you don’t belong in this world!
(Richter Belmont)

Logo no início dei de cara com um título que anunciava “Final Stage“, achei estranho, afinal estava começando um novo jogo, mas ignorei e continuei. De cara reconheci o personagem com o qual estava jogando. Era o “carinha azul” do Castlevania do Super Nintendo, que eu já havia jogado uma vez com um amigo.

Enquanto subia a misteriosa escadaria do início em direção à torre, apreciava os maravilhosos e ricamente detalhados gráficos 2D do cenário, cada tijolinho da escada parecia ter recebido uma atenção especial, o céu e o mar se moviam rapidamente dando a impressão de que o tempo passava de forma diferente naquele lugar, e quando dei por mim, estava entrando no covil do poderoso Conde Drácula, e o próprio estava ali sentado, me esperando para… Bater papo? Aparentemente sim, mas mesmo com meu inglês fraco percebi que era o tipo de diálogo que dois inimigos mortais têm antes de uma batalha de proporções épicas, batalha essa que estava para acontecer. Meu Deus! Esse era mesmo o final stage!

Não preciso dizer que apesar de bater um bocado no Dracula, eu estava apanhando muito mais do que batia, até que o inevitável aconteceu, eu morri. Já estava preparado para ver a tela de Game Over quando aparece uma mulherzinha e me agracia com invencibilidade, me permitindo derrotar o temível vilão facilmente. Após ver a derrota do maior dos vampiros, sou presenteado com um gigante bloco de texto que contava história do que ocorrera, na época tudo que consegui extrair era que haviam se passado quatro anos e que carinha azul se chamava Richter Belmont.

Ah, Alucard. What is your business here?
(Death)

Um homem de cabelo branco corre em meio à floresta, rapidamente ele se aproxima do castelo e consegue entrar no último segundo antes que a ponte levadiça se feche. Castlevania: Symphony of the Night estava finalmente começando de verdade. A primeira coisa que fiz foi apertar start e entrar no menu, um azul chapado, e uma foto do personagem, aparentemente seu nome era Alucard, nome estranho, mas legal.

Eu começo a andar e dou de cara com um baita lobo gigante, mas consigo destruí-lo após desferir um único golpe de espada, aparentemente Alucard é bem poderoso. Entro no castelo, um corredor escuro com som de janelas batendo, após caminhar um pouco as luzes se acendem e a música começa como me recebendo. Uma das muitas músicas maravilhosas que compõem a trilha sonora deste jogo. Fui caminhando e matando alguns monstros, e descobri que ganhava 1 ponto de HP de vez em quando, o que percebi mais tarde, que era porque eu estava subindo de level, conceito este totalmente impensável por mim nesse estilo de jogo.

Adorei jogar com o poderoso Alucard que poderia matar qualquer monstro com apenas um golpe, porém, poucos minutos depois descobri que nem tudo eram flores, a própria morte encarnada apareceu e roubou todos os meus equipamentos, me deixando literalmente de mãos vazias! O primeiro inimigo que encontrei após isso me deu uma espada, mas nem de longe lembrava a poderosa espada que Alucard usava anteriormente, mas tudo bem. Sigo em frente e descubro uma nova área dentro do castelo, “Alguma coisa laboratory” outra música legal e mais um cenário lindamente detalhado, como já estava com pouquíssimo HP acabo morrendo e GAME OVER! Sem chance de continue nem nada. Foi então que descobri que minha falta de memory card iria finalmente fazer alguma diferença e transformar esse jogo em um enorme desafio.

Cease this foolishness.
(Death)

Recomecei o jogo várias vezes, sempre morrendo após chegar a um desafio um pouco maior. Cada novo chefão ou inimigo de maior dificuldade era certeza de encontro com a tão temida tela de game over, morrendo muitas vezes no mesmo lugar e tendo sempre que recomeçar do nada. Era algo extremamente frustrante e muitas vezes eu desligava meu Playstation com aquela sensação de derrota.

Vez ou outra minha mãe ficava me olhando recomeçar e recomeçar várias vezes, eu nunca pedi um memory card, mas acho que ela percebia minha frustração e dizia que quando fosse possível iria me comprar a “pecinha pra salvar o jogo”, e que enquanto isso era melhor eu esperar ao invés de ficar jogando sempre a mesma parte do game.

Naquela época um memory card não era nada barato, e havia apenas um ou outro lugar na minha cidade para se comprar, e eu sabia que ainda iria demorar muito até conseguir um, pensei em pegar emprestado com algum amigo, mas se já era difícil conseguir um jogo emprestado, um memory card era impossível. O único jeito seria mesmo desistir e esperar.

I will not.
Not while there is a breath in my body.

(Alucard)

Mas com o passar do tempo eu estava ficando cada vez melhor, descobri que os save points não eram assim tão inúteis e que, apesar de não poder salvar, eles restauravam meu HP e MP. Depois que descobri isso me vida ficou muito mais fácil, eu conhecia bem o movimento dos inimigos comuns, e havia desenvolvido táticas para os mais difíceis, sabia onde encontrar os melhores itens, aprendi as magias, e tinha um mapa mental dos atalhos para os pontos chave do castelo e tudo mais. Não iria desistir ou esperar.

Eu já havia me deparado novamente com a mesma escadaria que me levava à torre do Drácula quando jogava com Richter Belmont, mas jogando com Alucard, a escadaria estava parcialmente destruída e eu não conseguia chegar à torre pelos meios tradicionais, porém, cada vez eu chegava mais e mais longe adentro do castelo, descobrindo novos segredos a cada recomeço, algumas vezes tendo que parar por falta de tempo e não mais por que havia morrido. Mais cedo ou mais tarde eu iria terminar o jogo.

E acabou sendo mais cedo quando me deparei novamente com o outro lado daquela escadaria, dessa vez controlando Alucard, mas, para minha surpresa, quem me esperava naquela sala não era o Drácula e sim Richter Belmont, que anteriormente já havia se apresentado a Alucard como Lorde do Castelo. Não liguei muito pra isso na hora e parti pra cima dele, afinal ele era o chefe final, a única coisa que estava entre mim e o final do jogo. Claro que acabei perdendo e vendo a tela de game over mais uma vez.

I’ve come to destroy this castle.
(Alucard)

Após algumas tentativas percebi que o fato de conhecer muito bem o castelo e saber como chegar rapidamente para enfrentar Richter era na verdade uma desvantagem, pois, apesar de chegar lá cada vez mais rápido, também chegava com um level mais baixo, com equipamentos piores e com uma menor quantidade de itens de cura. A pressa era mesmo inimiga da perfeição.

Decidi separar um final de semana para jogar com bastante calma, preparar bons itens e chegar razoavelmente preparado para enfrentar o Richter, nada assim tão bom, apenas o suficiente para completar as “habilidades castlevánicas” que havia adquirido.

Tendo muito tempo para pensar, fiquei desconfiado do porquê de enfrentar Richter onde supostamente deveria encontrar o Conde Dracula, e prestando um pouco mais de atenção na história acabei por achar que havia algo de errado, de que talvez aquele objetivo final estivesse bem mais além no horizonte do que eu imaginava.

Mesmo com toda a incerteza segui até o final com meus planos, e nesse final de semana eu derrotei Richter Belmont! Eu estava apreensivo, será este realmente o final? E era! Após alguns diálogos a tela escureceu e aparecia uma cena em que Alucard e Maria (uma mulher que aparece no decorrer do jogo) conversavam sobre o que tinha acontecido, enquanto ao fundo jaziam as ruínas do castelo. Logo em seguida os créditos subiram! Eu finalmente havia conseguido! Ao menos era isso o que eu pensava…

Confira amanhã aqui no NowLoading o desfecho da Start Pausa #40 !

Discussão

30 comentários sobre "Start Pausa #40a Castlevania SoftN"

Comentar