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[LdM] Capítulo 2: O Mouse do Horror
O mal pode se apresentar de diversas formas. Pode aparecer na forma de um bandido para alguns ou na forma de um assassino psicopata para outros. Mas para mim apareceu de uma forma muito mais aterrorizante… na forma de uma senhora de idade.
Tudo aconteceu numa manhã de quinta-feira. O clima não estava exatamente ensolarado, nem exatamente nublado, nem exatamente chuvoso, o clima estava somente aturável naquele dia. Não que eu me importasse com o clima, mas naquele fatídico dia ele foi em parte responsável por meu colapso nervoso.
O céu não dava sinais de chuva, mas mesmo assim entrou no recinto um enorme vestido florido (com uma cor que não me lembra nada além de uma cortina de sala de estar) com uma senhorinha em seus setenta e tantos anos de idade dentro dele. O seu jeito de andar dava a impressão de que ela era arrastada pela sacola de compras que carregava. Ela entrou e me olhou com um olhar desviado, como se focasse a visão na parede atrás de mim enquanto falava comigo. Seu cabelo, de alguma forma, estava bonito e sedoso, como se não pertencesse ali. Apesar da figura perturbadora, sua voz era calma e tenra.
“Nossa… parece que vai chover, né mocinho?” – Dizia ela enquanto olhava a rua.
“É…”
“O que é aqui? É videogueime?” – AimeuDeusdocéu…
“Bom, tem videogame sim. Mas a gente trabalha mais com computador e intern...”
Enquanto essa última palavra saia da minha boca, me dei conta do que acabara de fazer. O olhar dela se voltou para mim (ou para a parede atrás de mim) como se eu tivesse dito a ela que havia encontrado o elixir da juventude. Ela caminhou vagarosamente em minha direção, apoiou as mãos no balcão e disse: “Tem internet aqui? Posso usar?“.
Para minha surpresa ela conseguiu pronunciar “internet” sem engolir a própria língua. Pensei se ela tinha alguma idéia do que estava falando…
“Sim. Só tenho que fazer um cadastro pra você.”
Flashes da última vez em que fiz um cadastro desse tipo fuzilaram minha mente. Respeirei fundo, amarrei uma faixa preta nos olhos e saltei no abismo.
“Me empresta o seu RG então que eu preencho seu cadastro.”
Para minha surpresa o cadastro correu sem problemas. Ela ainda lembrava o próprio endereço e o telefone. Porém, meu sossego já estava com a mira laser apontada para a testa.
“Mocinho!”
“Sim…” – Respondi como só um Decepticon conseguiria.
“Como faço pra ver o site da Ana Maria Braga?”
“É só abrir o navegador e digitar o endereço.”
“Hã?”
Enquanto ela olhava para o computador e para o teclado era possível ouvir as engrenagens gastas e enferrujadas rodando em velocidade máxima dentro de sua cabeça. Levantei-me e com toda presteza e gentileza que há de existir num homem, caminhei até ela e abri o browser.
“Obrigada mocinho. Você pode abrir o site pra mim?”
Tudo bem. Nada que uma rápida visita ao Google não resolva.
“Pronto. Agora é só clicar onde a senhora quer ir e navegar no site.“
Vagarosamente ela levou mão ao mouse e um leve sorriso de satisfação surgiu em meu rosto. Enquanto eu me virava e caminhava tranquilamente de volta ao balcão, ouvi um som seco, como se alguém estivesse batendo com a cabeça numa janela de vidro. O som se repetiu. Novamente…
Olhei na direção dela para identificar a origem daquele som horrível apenas para entrar em estado de choque. A cena presenciada por mim naquele instante tomou cerca de 30 segundos para ser assimilada. Enquanto tentava colocar algum sentido naquilo, senti que o planeta parava de girar vagarosamente. Ao longe era possível ouvir urros de um exército desconhecido marchando em minha direção com sede de sangue.
A senhorinha de idade transformara-se num ser hediondo enquanto erguia o mouse na altura dos olhos e batia com este no monitor. Depois de algumas tentativas frustradas ela me dirigiu a palavra. Sua voz, que antes era doce e comedida, tornara-se um som rouco e abafado como se um cachorro fosse fechado dentro de uma caixa de papelão e jogado no um porta-malas de um carro em chamas.
“Mocinho, essa caixinha não tá funcionando!”
Pelo menos dois terços do meu cérebro estavam derretendo e se convertendo em um poderoso analgésico que fora imediatamente arremessado em minhas veias. Depois de alguns momentos de respiração profunda e de contar até o primeiro número com 6 dígitos, consegui dizer à senhorinha que a “caixinha” estava com problema, mas eu não teria outra pra trocar agora.
Ela levantou-se, agarrou sua sacola de compras e foi arrastada por esta para fora do recinto. Não me preocupei em cobrar o tempo que ela havia usado no computador, talvez por medo dela – ou de mim mesmo.
O horror se apresentara de tal forma que era difícil assimilar sua total complexidade. Aquela fatídica manhã havia se tornado agora parte de mim, um momento que levaria comigo para sempre. O horror… o horror.





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Fico rindo só de imaginar a cena da velha batendo o mouse no monitor…
Mas ao menos ele não devia ser um LCD que qualquer batidinha destroi o coitado…
Deus…
Tremendo até agora.
Rezo todos os dias para não encontrar coisas horrendas como essa.
E olha que ja dei suporte de informatica em uma empresa, sei o que é esse horror!
Ah cara… Fiquei com pena da senhora…
Ela só queria pegar uma receita de bolo de fubá no site! =(
Também fiquei com pena da velhinha. Mas o clima de suspense exageradão tá ÓTEMO, Juunin.
Caraca, muito bom XD
"tornara-se um som rouco e abafado como se um cachorro fosse fechado dentro de uma caixa de papelão e jogado no um porta-malas de um carro em chamas."
O exagero climático do Juunin é muito foda XD
Por que diabos a velha estava batendo o mouse no monitor?
Devia pensar que era assim que se clicava, no mínimo O.o
auheuaheuhauehuaheuhauehuaeh
o pior é q já ouvi mto relato de mãe fazendo isso….
mto enfeitado o texto…mas mto bom tb
=P
XD eu trabalho em lanhouse tbm e sei como eh esse sentimento xD~~ na lan q eu trabalho 80% do publico sao Trabalhadores especialistas em serviço pesado (vulgo Peão) que trabalham num porto q tem na cidade… e eh uma trizteza sem fim, pq a intenção deles na internet eh soh uma! sites de putaria euhhuahuahua e msm sem nam saber o q eh um @ ou o q significa navegador de internet……
Relatos pessoais q eu jah presenciei:
-Um senhor que tirou a usb do mouse pra por o pendrive e depois me xingou pq seu pc nao funcionava!
-Uma tiazinha d uns 40 anos segurando o mouse de cabeça para baixo!!
-um cara que tentou usar uma maquina sem a CPU que estava na manutenção
-Casos com bebados a lot!!!
-Uma senhora de 50 anos loira (pintada alá tintura marcia) com seus 120 kilos conversando com fake de anime, e me pedindo dicas de sites pra baixar hentai!
e varios outros ehuhuahuaha
"-Uma senhora de 50 anos loira (pintada alá tintura marcia) com seus 120 kilos conversando com fake de anime, e me pedindo dicas de sites pra baixar hentai!"
Isso é apocalíptico cara!
Hahaha, que historinha terrível. Esse tipo de situação em potencial ainda me dá calafrios, e olha que nem trabalho nem nunca trabalhei em Lan Houses
Muito boa a história, gostei de como foi contado o caso.
Pra fechar com chave de ouro so faltou a seguinte frase: Eu não sei sobre os anjos mas e o medo que da asas ao homem!
Mas tbm fiquei com pena da senhora xD
Agora que já esperava o exagero extremo, achei muito mais divertido!
Mas também fiquei com dó da velhinha, podia ter sido um pouco mais paciente…
Um verdadeiro teste era trabalhar em um Posto de Saúde!
Ainda bem que saí de lá muito antes dessa gripe suína, que sorte que tive, já é um calvário explicar onde fica a senha! =P
Coitada da véia. Ela devia ter pensado que o monitor não era touchscreen….
Ótima história, Junnin!
HAHAHAHAHHAHAHAHA, cara, as histórias do Juunin são absurdas cara.E você sabe prolonga-las de forma interessante.
Já ouvi falar de uma história parecida, porém não era em lan house e sim em loja de computadores. O cliente chamou o suporte técnico dizendo que o produto não estava funcionando. Quando o suporte chegou lá, o cliente estava arrastando o mouse pela tela do computador.
Muito boa a história, adorei as metáforas e o clima de terror.
Depois disso tudo eu chorei.
Muito boa a história, mas a culpa é da lan por não ter monitores touchscreen xD
HAUHAUAHUAHUAHAUHAUAUHUAH.
Ri pacas… tem que ser o Juunin pra escrever assim… ele da um ar de pânico nas frases que eu até me espanto.
XD
Parabéns.
haha!
Coitada da senhora, nãos custava nada se sacrificar pra ensinar a ela como funcionava o "ratinho".
um amigo me contou que na sua lan house, ele tinha uma velhinha como cliente que era um pouco mais familiar ao uso do mouse
ela dava toquinhos nele com a ponta do dedo pra mover o cursor. pelo menos funcionava.
Huhauhauh.. muito boa a história.
Vc escreve muito bem mesmo Juunin.
E o pior é que fiquei imaginando vc contando a história e fazendo a voz da velhinha como fez no cast. hauhauhauh… Parabéns.
AAAA, tava esperando a Motoserra no final ''/
Mas que barbaridade… Fico pensando se quando eu for mais velho eu vou ser assim com novas tecnologias =/
Muito bom o texto, Juunin ^^
cara tbm tenho muito medo disso, mas vou me esforçar para que não aconteça XD
o pior de ver esses "velhinhos" é saber que a maioria de nós seremos iguais
Ri MUITO! Huahuahua! (Apesar de ter ficado com dó da velha.. Tadinha :~)
Ps: Juunin, tu escreve ABSURDAMENTE bem! Parabéns
Juunin, tu é meu herói cara… Passar por uma experiência dessas e viver pra contar, não é para qualquer um… Ainda por cima teve a bondade de deixá-la sair inteira da lan, e com todos os seus pertences (coisa que não aconteceria em algumas lans que existem por aqui… rsrs)
Parabéns dude!
Hahahahahah, c*ralho, Juunin, tu escreve muito bem, rachei de rir aqui. Pô, mas coitada dela =P
Vocês que nunca trabalharam em LAN são todos uns preibóizinhos mimados criados a leite-com-pêra, ovomaltino e pão-com-mortadela. É o trabalho mais sombrio da face da terra, é como sair pra uma aventura de RPG, quanto mais tempo você fica em uma LAN, mais horrendas e cruéis vão ficando as criaturas que aparecem. Desde Dragão de Orkut até Orc Assaltante.
Na verdade, a senhora pensava que o monitor era touchscreen, ela estava a frente do nosso tempo. =O
Era uma visionária xP
Excelente, excelente!
Juunin manda muito bem, principalmente pra passar o ar de terror q ele deve ter sentido!
Rindo mito aqui! uhauahauha
pena da senhora… … a para … ri de mais shashsauhasuhasuhsa
O mundo não pará.
Para os desinformatizados é um pesadelo chegar numa lan-house e encontrar aquelas maquinas olhando para vç e esperando q vç faça algo, sendo q a cada minuto q vç permanece imóvel diante delas vç é deixado pra trás cada vez mais e mais no espaço-tempo continuo.
A sociedade exige de vç q seja informatizado, e não lhe dá direito a ter dúvidas e nem mesmo um manual onde sana-las.
Empresas só ensinam aos seus clientes e mesmo assim só o necessário para q eles consumam seu produto.
O q antes era seu passa-tempo favorito ( ver televisão ) agora é acompanhado de coisas como "veja no site" ou "tire suas dúvidas nós mandando um e-mail"
Inclusão digital, não é tornar todos especialistas Nerds, é sim dar as pessoas "comuns" condições necessárias para se viver no mundo de hoje, garantindo a sua vozinha de cabelos grisalhos a receita de bolo q ela viu no (as vezes sua única alegria) programa da Ana Maria Braga.
Melhor q pensar "porque essa velha não morre logo e me deixa em paz", e já q ela não alcança o mundo em sua velocidade, pare vç um pouquinho, pegue-a pelo braço e a acompanhe para um local onde ela possa olhar o mundo passando nem q seja de longe.
Se aquela senhora tivesse saida daquela lan-house com um sorriso no rosto e pensando "imaginem só a cara dos meus netos quando eles souberem q tive coragem de entrar numa lo-rouse e pegar a receita do bolo q eles estão comento", se isso tivesse acontecido, eu acreditaria q o MUNDO tinha se tornado um lugar 0,000001% melhor de se viver.
O mundo não pará, e as pessoas passam muito rápido.
Nilson, nessa coluna eu conto apenas os momentos de terror que me assombraram na lan-house. Essa mesma senhora que saiu da lan naquele dia sem nem sequer ser cobrada voltou muitas e muitas vezes depois (as vezes acompanhada do que suponho serem netos) e eu a ajudei a imprimir a tão falada receita de bolo de fubá. Ou as vezes eu nem ligava uma máquina prá ela – imprimia do balcão mesmo.
O que eu quero focar aqui são os momentos que me marcaram e que me fizeram temer o mundo das lanhouses. Não me julgue por ter agido assim nesse momento. Muitos dos meus clientes voltavam a frequentar minha lan-house por causa do atendimento e não por causa das máquinas ou jogos (já que 2 quarteirões prá cima tinha uma lanhouse com máquina muito mais atualizadas).
O texto terror -exagerado do Juunin é ótimo, fico imaginando essas histórias em algum quadrinho tipo as que o Leandro Caracciolo faz pros Nerdcast.
Eu ministrei aulas ("dei" é mto feio) de informática básica por quase 3 anos na época de faculdade (pagava a mensalidade e sobrava pra cerveja), assim eu passei por este tipo de problema várias vezes, a diferença é que eu não podia usar sua estratégia então fique feliz por sua experiência ter terminado de maneira pouco traumática.
Caraca Junin!
Você foi muito mal com a "pobre velhinha", hehehehehehe
Sei muito bem, como instrutor de informática, como é uma agonia ensinar pessoas da "melhor idade" (melhor pra quem?).
Agora, sinceramente, faltou um tiquinho de boa vontade em você caro Junin.
Imagino que a cena realmente tenha sido dantesca, mas a paciência é uma virtude!