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START PAUSA #38
Olá gamers de todas as eras! Sejam muito bem vindos a mais uma Start Pausa aqui no NowLoading!
Uma das coisas que eu mais acho legal nas Start Pausas são os tipos de história e os modos que cada um que me escreve, as conta. A de hoje não é diferente! Para início de conversa, quem nos escreve hoje não é apenas um leitor do blog, nem só um ouvinte. Mas além de ser um pouco dos dois, ele é o nowloader Pablo.Prime que resolveu contribuir também para a coluna trazendo toda a sua experiência, totalmente imersiva, em Battlefield 1943. Vale a pena conferir!
Mas e você? Não quer contribuir também? A vida dessa coluna depende de vocês! Estejam convidados a participar com seus relatos, mandando e-mails para diego@nowloading.com.br.
Game: Battlefield: 1943
Desenvolvedora: Eletronic Arts
Gênero: FPS
Console: XBLA e PSN
Player: Pablo Rozados
Ilha de Quadacanal, o dia e mês que estou eu não sei bem. Provavelmente culpa dos longos meses que passei dentro do porta-aviões vindo para cá. A única certeza que tenho é o ano: 1943.
A minha manhã começou movimentada. Gritaria logo cedo, café às pressas com oficiais gritando ordens para a tripulação. Lembro apenas de vestir todo o uniforme e carregar as armas, tarefa que fazia bons dias que não me era requisitado. Demoro, ouço xingões pela lerdeza, como meu pão devagar e descansado fingindo que nenhuma ordem era para mim. Meu desjejum é interrompido com um tapa na cabeça, um pão aos ares e a ordem de subir no exato momento para o convés. Eu vou. No exército você pode até ser durão, mas só para baixo.
No convés preciso ser rápido e ir para os cantos. Aviões decolam a todo instante da curta pista que o porta-aviões oferece. Parecem brigar para ver quem vai decolar primeiro. Na água vejo diversos navios-transporte-tropas indo em direção da ilha. Nós apelidamos essas pequenas embarcações de abatedouros, já que todo mundo vai exprimindo dentro do barco e a única porta é na frente. Quando ela abre, soldado; você só pode correr para a morte.
Como demorei e enrolei fui sozinho dentro de um deles. Algo raro pelo custo do material. Achei que meu superior ia me mandar ir a nado, contudo alguém precisava levar duas ponto 50 até o setor B. Faltei essa aula. Não sabia onde era o setor B e, para piorar, a ilha não tinha aquelas placas de estacionamento dizendo: “Memorize onde seu barco está: Setor B”.
Velejei até a ponta da ilha de água absurdamente cristalina. Era bem diferente do que eu estava acostumado nas praias da Califórnia que meu pai me levava todo o verão. As palmeiras, terra branca como nuvem e água esverdeada e cristalina me deixavam maravilhado. Juro que pensei em ficar de cuecas e aproveitar a praia. O dia estava quente, eu tinha ração que renderia um bom pequinique, o que mais precisava? Só mudei de idéia quando ouvi o barulho ensurdecedor de dois Zeros voando sobre minha cabeça. Gelei companheiro. As metralhadoras destes aviões me transformam em purê de batatas sem nem precisar cozinhar primeiro. O cenário paradisíaco saiu de cena e me mostrou que eu estava ali para combater os japoneses. Ouvi os barulhos disparando suas metralhadoras. A morte passou por cima de mim e não me escolheu, me safei desta vez.
A guerra lembra muito um jogo de pegue as bandeiras. Você e seus amigos correm, botam uma bandeira em um local enquanto uma parte avança para outro ponto. Se você for um dos designados a ficar esperando sem avançar sua missão é, basicamente, rezar para que ninguém apareça. Não era meu caso. Eu ainda estava avançando meio sem rumo e pensando onde ficar. Como atirador de elite eu passo mais tempo sozinho o que me deixa pensar na vida e no que preciso fazer. O que que eu to fazendo aqui?
Corpos decompostos são nojentos e sofríveis. Nojento porque todo mundo sente nojo deste tipo de coisa, certo? Sofrível, pois dói no peito pensar que um companheiro tem que estar naquela situação. Nem teu inimigo merece isso. Passei por vários até agora. A maioria de americanos assim como eu. No rádio sei que estamos fazendo bonito e avançando. Metade da ilha é nossa e outra metade dos amarelos. Somando os mortos para os dois lados ainda estamos no zero a zero.
Um farol alto me chama a atenção. Ótimo para um atirador de elite, mas perigoso. Todas as atenções dos atiradores de elite deles devem estar voltadas para o farol, subir lá é arriscado. Acho melhor me esconder dentro de uma casa que tem próxima a ele. A casa é bem localizada, com janelas por todos os lados e apenas uma porta atrás de mim. Quem quiser entrar vai ter que desfilar por três ou quatro janelas me dando tempo para pensar e emboscar. Um pouco mais para baixo, descendo uma ribanceira, tem um jipe japonês abandonado. Já tenho até uma rota de fuga feita. Agora o circo está armado e só preciso saber se eu vou ser o leão ou o palhaço.
Pela luneta vejo o espetáculo. Tanques americanos invadindo um morro no fim da ilha. De formação vulcânica a terra nesta parte é escura como a noite. O mesmo tanque que subia o morro desce em chamas quando um zero solta a bomba em cima do blindado. Não tem como fugir, soldado frita lá dentro. Do outro lado da ilha um grupo de japoneses desembarca em pequenos botes e são surpreendidos por um pelotão americano que estava esperando a chegada deles. O mar fica vermelho de tanto sangue. Eu pensava que era amarelo, mas não é da mesma cor que nós, no entanto e deles é mais gostoso de ver.
A comunicação com meu time é bastante tímida. Sei que alguns pelotões estão separados em pequenos grupos agindo como mercenários solitários. O resto, como eu, se resume a pequenos comentários de localização como: —Quatro japoneses no flanco direito. —grito no rádio. Eu ajudo mesmo. Graças a minha arma de precisão eu acabo observando bem mais o campo e ajudo passando ordens e dicas de sobrevivência. Numa dessas foi minha vez de ser avisado: —Cabo Prime, blindado indo as seis horas. Um a pé, mesma localização, copiou? — gritam do outro lado. Suei frio novamente. Ao me virar noto que eles estão realmente pertos. Eu fiz uma estratégia para pessoas, certa? Blindados não estavam na minha lista. Para piorar, além do canhão tinha um japa na ponto 50 superior com uma agilidade muito maior que o rotor do tanque. O que vinha a pé estava atrás do tanque, sentindo-se desprotegido, logo, não era problema.
Certo, vou correr até o jipe e fugir daqui. Abro a porta e saio como louco. Eu não me lembro de descer a ribanceira, lembro de rolar ela me debatendo feita lebre abatida. No mesmo momento que chego ao veículo ouço os barulhos da metralhadora na minha direção. Ferrou parceiro. Me viram! Não tenho dúvida, meto os três explosivos C4 ao redor do carro e perto do tanque de gasolina. Se eu explodir levo até os netos deles para o céu. — Cansei do zero a zero, hoje eu vou fazer um a um. — falo no rádio enquanto preparo meu suicídio voluntário. Tenho certeza que mais da metade de quem ouviu não entendeu. A guerra não é lugar para heróis solitários, ainda mais para mim que nem capa tinha. A idéia é simples: tentar dirigir vivo até o blindado, abandonar o jipe e correr para me proteger o mais longe possível da explosão. Não sei da onde eu tive a idéia de por os quatro explosivos de uma vez só, um deles já era o suficiente.
O tempo de pensar acabou! Agora preciso ser irracional e dirigir esta droga até lá. Subo no motorista, bato arranque algumas vezes e o coitado pega no tranco. Sigo uma pequena estrada e saio exatamente atrás deles. No desespero, em meio a uma overdose de adrenalina aponto o carro e me choco a 40km/h contra a traseira do tanque. Saio do carro correndo, olhando para o soldado que estava segurando a ponto 50 e que perde o equilíbrio com o choque. Corro em direção ao mato rezando para achar um lugar para me esconder. Ferrou, ferrou! Um calor percorre minha espinha e, milésimos de segundos depois, um frio desce no caminho inverso. A dificuldade absurda de respirar me indica uma coisa: meu pulmão foi perfurado e vou acabar me afogando no próprio sangue. Cacete, tava tudo dando certo! O incrível é que tudo aconteceu tão rápido e mesmo assim parece que faz horas que saí do carro. Consigo achar o responsável. O cara estava dentro de um bunker com um rifle Arisaka 99. Só me restou apertar o detonador e mandar o blindado e o outro soldado para a casa do Buda. A explosão foi bonita de ver. Vamos aos cálculos: Dois dentro do tanque e um a pé são três. Placar final: 3 a 1. É, eu ganhei! No meio do fogo vejo novamente a morte, desta vez ela olha para mim e faz um sinal como o dedo dizendo que já vai aí me ver. Sem pressa, dona morte. Tome o tempo que for preciso. Eu to bem, to na praia descansado. A pressa é sua. O tempo passa como uma numeração em contagem regressiva.
Ferrou! Vou dar respawn no porta-aviões novamente. Alguém troca de fase, por favor?
















POrra!
Resgate do soldado Rozados!
MT bom!
Total!
Tava imaginando ele la,desde que ele comentou num cast que se ele fosse pra guerra,ele ficaria correndo no meio do campo de batalha de um lado pro outro sem saber o que fazer suahsuhuasuas
Parabens pablito!
Poxa, sabia que o Pablo era o mais velho dos loaders, mas não sabia que ele tinha ido pra guerra, mas entendo que você escolha não comentar sobre isso nos casts a falar na matança envolvida nos combates.
Caraca, muito criativo!
Isso que chamo de entrar na pele do personagem!
"Ferrou! Vou dar respawn no porta-aviões novamente."
Muito bom!
Faról, montanha vulcânica… nao era iwo jima não?
de qualquer forma, mto bom o post!
Putz, to impressionado… Parabéns Pablo ótimo texto..
Muito bom, Pablo. Muito bom mesmo. Bem criativo o modo de narrar o jogo.
Tava com saudades da coluna já, semana passou tão lerdinha.
Porra Pablo se tu faz essas narrações legais durnate o jogo vou querer jogar contigo pra "ouvir" essa guerra. Muito bom o texto, parabéns!
ahuahauahu
ótima narração pablo… ainda preciso jogar mais jogos de guerra xD
Realmente foi uma ótima narrativa, até deu vontade de pegar meu Battlefield e jogar novamente, mas aí eu lembro do Call of Duty e desisto!
Porra, ficou muito foda mesmo hahah por forças do destino, eu sou o cara designado à ficar e defender os pontos conquistados
Tu tem o 43? Tem tem tem? Vamos jogar? Adoro!
Tenho sim! Esses dias estava jogando sozinho até. Bora jogar, tem bastante gente lá da planilha que tem também, quem sabe dá para fazer um time ou um esquadrão pelo menos!!
é pablo agora essa essa coluna no Start pausa, da pra começar a pensar em pagar alguma coisa, mas esse pensamento ainda esta remoto
FAN-TÁS-TI-CO
O foda é, a cada respawn voltar ao porta-aviões e ter que tomar um tapa na cabeça.
Muito engraçado ler e imaginar a voz do Pablo me contando a história xD esse final é bem característico dele.
Me fez lembrar do BF2: Euroforces, um mapa em que o respawn era vc PULANDO DE PÁRAQUEDAS. Eu sempre esquecia, ficava AFK e morria 10x seguidas. =(
Caraca! Euroforces! Tu é o cara. Pensei q ninguém mais jogou esse jogo. Ele era ruim pra caralho, mas eu amava.
FODA
Bem que tu podia fazer uma coluna semanal com uma narração desse tipo de alguma partida online (nós jogamos TF2 suficiente pra não faltar historias xP)
Comentando pe. Ficou muito bom o texto e pe. Fui intimado no twitter. :p
Ainda bem q tu veio. Já tava com saudades de ti, feio.
Nossa emocionou.
Valeu queridos! Que bom que gostaram!
Mandou bem, Pablo
Tinha q fazer uma montagem com imagens do jogo e narração no fundo =P
Pensei 300 vezes nessa hipotese. Em entrar no jogo e tentar tocar um carro cheio de explosivos contra um tanque, ir tentanto até sair alguma coisa.
Booooa, Pablo. Mas pode confessar que você que tava em 1943 durante sua adolescência matando japoneses e só usou o jogo de desculpa. Não disfarça a idade. =x
E vocês aí, vão escrever pra Start Pausa (já faz um tempo que não encho o saco).
Era preciso mesmo um profissional pra elevar o nível do Start Pausa até a Lua. Mandou bem, Pablito. =)