Underground Gaming #16: Playstation
mar
12

Underground Gaming #16: Playstation

Underground Gaming

Alguém aqui já ouviu falar de um japonês chamado Kutaragi? Em 1984 o jovem engenheiro trabalhava em uma divisão da Sony chamada Sony’s Information Processing Research Center em um projeto chamado Gazo (imagem em japonês) que trabalhava um novo sistema de texturas 3D. Naquela época Kutagari acreditava que o futuro gráfico estava nas plataformas 3D como grande avanço tecnológico. Protótipos de Controles do PSXEle viu como o Famicom (NES) foi desbancado graficamente pelo MSX e imaginava que o 3D seria o responsável pela derrota do 2D. Hoje isso soa muito estranho, mas em 1984 pensar nesse avanço era visionário e quase profético.

Dois anos depois, em 1986, Kutaragi começou a pressionar o alto escalão da Sony a entrar no ramo de videogames. Naquela época o mercado era muito mais tímido do que hoje. Nunca imaginávamos que a indústria de entretenimento digital chegaria aos 30 bilhões de dólares por ano ultrapassando todas as outras. Obviamente que os diretores da Sony também não imaginavam isso e relutaram contra a idéia do Kutaragi acreditando que o risco seria muito grande para talvez não obter retorno.

Depois de muita pressão, em 1990, a Sony aceitou entrar numa parceria com a Nintendo para ajudá-la entrar na nova tecnologia do CD. A idéia principal era achar uma forma de baratear a tecnologia e por isso ambas empresas deveriam trabalhar em conjunto. Agora uma pequena pausa no texto da Sony para vocês entenderem melhor o mercado.

Em 1990 a Philips tinha inaugurado a tecnologia de CDs interativos (não confunda com os jogos de Turbo Grafx) que mesclavam vídeos com sprites dando um novo e peculiar estilo. Nascia o CD-I. O problema é que essa tecnologia não era nem um pouco barata. O aparelho ultrapassava os US$ 700 enquanto seus jogos não eram menos de US$ 70. Até então era uma tecnologia exclusiva de uma minoria disposta a pagar por isso.  A Sony acreditava que a entrada da Nintendo no mercado de CD Games conseguiria popularizar o formato. Resumindo: uma era o nerd querendo popularidade e a outra era a patricinha que tinha popularidade de sobra, mas queria uma forma de aumentar sua conta bancária ainda mais.

A Sony então firmou um acordo para produzir um sistema que leria os Super Discs (CD-ROMs) e os cartuchos de Super Nintendo. O console seria chamado Play Station. Protótipo do PSXA idéia e o protótipo apresentado mostravam um drive que seria acoplado ao Super Famicom, mas a idéia principal da Sony nunca foi essa, ao contrário do que muitos pensam. Kutaragi queria produzir um sistema independente com entrada para CDs e cartuchos. Semelhante ao Famicom Twin da Sharp e já comentado aqui na Underground Gaming #5.

O que a Sony não sabia era que o presidente da Nintendo, Hiroshi Yamauchi fez secretamente um acordo mais lucrativo com a Philips. Esse acordo era sim de um periférico acoplado ao SNES que dava a capacidade de leitura de CDs. Em troca disso, a Nintendo liberava grandes franquias para o console da Philips. No final das contas, realmente saia mais em conta que o contrato com a Sony.

Em 29 de março de 1991, durante a Consumer Eletronics Show (CES) em Chicago a Nintendo anunciou a sua parceria com a Philips para desenvolver o SNES CD sem nem ter comunicado nada à Sony, dando uma grande punhalada nas costas da gigante dos eletrônicos japonesa. Não só traiu ao contratar a Philips sem informar a situação para a Sony como também quebrou a sagrada etiqueta japonesa de nunca negociar com uma empresa estrangeira.

E não demorou muito para a rivalidade começar a nascer. Em 1992, Kutaragi decidiu que a melhor estratégia era seguir sozinho. E esse caminho, embora ainda turbulento, seria o triunfo em um universo de três dimensões. Analisando os ciclos dos videogames, percebeu que a cada sete anos o mercado se renovava. Pelos seus cálculos ele tinha pouco tempo para introduzir o console na próxima geração e tinha que fazer isso logo no inicio para evitar que um videogame datado entrasse no mercado.

Kutaragi viu um fator em comum no fracasso dos videogames da geração da época (Jaguar, CD-I, 3DO, Sega CD), a falta de third-parties. Isso era mais que necessário, uma vez que somente a Nintendo tinha franquias de peso suficientes para manter um console no mercado. Até Miyamoto se rendeuA Sony partiu para as empresas que tinham bons títulos tentando atraí-las para o Playstation e isso funcionou.

O mês de dezembro de 1994 nascia com um céu diferente, apontando grandes mudanças e elas de fato chegaram quando, um mês depois da Sega lançar seu Saturn, chegou ao mercado o Playstation. Enquanto a Sega mostrava ao mundo o Virtua Fighter, o Playstation desembarcava com um port praticamente perfeito de Ridge Racer da Namco. Na E3 de 1995 a  Sony silenciou a Sega com uma singela mensagem: US$ 299. Ele era o primeiro sistema realmente dedicado ao 3D, tinha uma qualidade de som absurda e ainda por cima era o mais barato!

E não parava por aí. A Sony fechou parceria com grandes empresas japonesas trazendo velhas e conhecidas franquias como Final Fantasy, Metal Gear e Dragon Quest. E enquanto os cartuchos custavam US$ 70 os CDs mais caros não passavam de US$ 60, com a vantagem de poderem virar Best-Sellings e terem seus preços reduzidos para míseros US$ 20!

É claro que muito mais coisa rolou depois disso e eu não vou me alongar mais porque esse texto já está grande. Esperem pelo cast sobre a geração de 32 bits, pois prometo contar tudo!

Críticas, sugestões, doações de videogame/dinheiro? Mande um e-mail: pablo@nowloading.com.br

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

29 Comentários

  1. Luana disse:

    Mas esse Pablo entende mesmo de games……… esse é pra casar…

  2. P.Prime disse:

    Caso! Mas fica rica antes para eu ganhar uma pensão boa!

  3. Gabriel Marques disse:

    “Ele era o primeiro sistema realmente dedicado ao 3D, tinha uma qualidade de som absurda e ainda por cima era o mais barato!”

    - Só falta o “mais barato” na geração atual… :(

  4. Slash/Rick disse:

    @Luana
    Tira o olho! XD Pablo é casado com o NowLoading! =P

  5. Juliano disse:

    Grande Sony! Ownou bonito a Nintendo na época do 64 e do Gamecube.

  6. D.L disse:

    Boa! Vai ter cast sobre a era 32! PQP, foi a melhor epoca da minha vida gamer!

  7. Luana disse:

    @Rick:
    Cuidado!
    O diabo andou dando idéia que não devia e pelo que sei acabou banguela no inferno huauheueuaehuaheuaiheauiheuaheuae

  8. pedrohenri disse:

    .Muito bom Pablo, isso me faz lembrar que eu comprei o meu PS muito atrasado. Ainda não era o ONE, acho que foi em 2000.
    .E é dificil de acreditar que a Sony tinha um contrato com a Nintendo para produzir o Play Station, imagina o que seria hj ? A geração 64 e Game Cube não seria fracassada e o PS3 não começaria tão mal.

  9. Rafael Junio disse:

    IUHEASIUHSEAIUEHASIEAH
    to achano mo engraçado essas “discussões entre Luana e Pablo”….(
    mas isso é tema pra outro post ou podcast)

    É eu ja tinha lido sobre isso…mas não sabia do pé na bunda que a nintendo deu na sony….

    No mais otima coluna Pablo …Parabens vc brilhou ganhou uma estrelinha da fessora.

  10. Ogro Himself disse:

    e graças a essa parceria satanica com a Phillips, a nintendo nao teve SNES CD e vieram ao mundo os piores Zeldas do mundo

    http://www.youtube.com/watch?v=8eh31KEa-CA

  11. Luana disse:

    huehaehuaiheuiaheuhauiehuiaheuihauiehuiaheiuahuiehaiuheuiaheuihauiehuia
    “fessora”
    uaehuieiuaheuhaiuehuiahueihaiuheuiahiehiuaheauiheuiahuiheuiaheuiahueiaheuia

  12. Gabriel Valente disse:

    Muito boa a coluna.

    Playstation é tudo de bom, tenho o meu até hoje, funcionando direitinho. Foi um verdadeiro marco na História dos games, a toda poderosa Nintendo levou um Roundhouse Kick na cara, do qual só se recuperou em 2006 com o Wii.

  13. Roger disse:

    Além da coluna (pra variar) ser uma mistura perfeita de informação e qualidade, dessa vez teve tambem um gostinho de saudade… (Meu play 1, onde andará vc nesses tempos de hoje?! rsrsrsrs

  14. Vini disse:

    O Pablo é uma enciclopédia!

  15. Wesley Pires disse:

    Eita console porreta. Foi a minha introdução aos jogos mais hardcore.

  16. Alberto Silva disse:

    Nuuuuuuuuuuuu, Caraca doido, que doidera esse negocio, não sabia disso não.
    Pablo tu é O cara, bom depois eu conto o que é ser O cara.
    Tive o Snes, mas meu pai vendeu pra comprar um pc, mto tempo depois, ganhei um ps1, mas antes de comprar ele, já tinha comprado meu FFVII(quem não jogou esse jogo no ps1?).
    Realmente, eita console porreta, gostava mais dele de que meu antigo snes(acho qe por causa da quantidade de jogos q tinha pra ele, e a qualidade gráfica que é inconparável).
    A partir daí acho que a pirataria rolou solta a partir do PS1 não?

  17. P.Prime disse:

    Mesmo ninguém perguntando e eu segurando a resposta aí vai a morta.
    Na foto onde tem um rapaz de costas jogando PS1 esse jovem era, ninguém mais, ninguém menos, que Shigeru Miyamoto! Ele testou o ps1 e ficou impressionado com a capacidade do aparelho!

    @pedrohenri
    Tem um artigo muito bom falando justamente o que aconteceria se a sony nunca tivesse entrado nesse mercado. Leia (em ingles) aqui: http://retro.ign.com/articles/956/956990p1.html

    @Alberto Silva (Amebahel?)
    Na verdade a pirataria veio desdo Atari. A diferença é que o PS1 conseguiu popularizar o inferno.
    Com a popularidade e o super barateamento das mídias de CD o jogo pirata caiu drasticamente de preço. Não que antes ele já não fosse mais barato, o fato é que agora ele era muitooo mais barato. Imagina que além da mídia barata o processo era barato. Você demorava muito menos copiando um CD numa prensa (que no minimo copia de 8 em 8 ) do que montando chips e esquemas.
    Foi o grande buummm da pirataria no mundo.
    Para entender um pouco disso eu lembro sempre da época. Eu estudei no centro da cidade a dois metros de um grande camelô. Na época do 3DO, quando vi os primeiros jogos em CD pirateados cada jogo saia por 25 reais no final da vida do console. Enquanto na era ps1 a bagaça saia de 7 a 5 reais. Aí virou febre.

  18. Kroll disse:

    Muito legal a coluna…..agora imagina o Miyamoto desenvolvendo para play 1!!! a ia ser outra coisa^^

  19. Lucas 2099 disse:

    Caramba… Caras eu realmente estou ansioso por um cast sobre a história dos 32 bits (o que é praticamente apenas Playstation), e eu espero que ele seja ainda maior que o anterior =D

  20. diego disse:

    Se a nintendo tivesse uma máquina tempo….UAHUHAHUAHUAHUAHUHUA

    boa coluna pablo, tá show

  21. DaviD disse:

    É como diz o velho provérbio Klingon:
    “A vingança é um prato que se come frio”

  22. Matheus Dias disse:

    Incrível como a Nintendo ainda consegue passar a imagem de simpática, sendo uma bela de uma traíra!

    Grande coluna, continue assim!

  23. Arch disse:

    Foi ai que o negócio começo a pegar fogo!!! \o/

  24. Parabéns pela coluna, grande “Pablogamepedia”!!!

  25. leandro disse:

    puta merda, esse site é demais, uma seção mais interessante que a outra

  26. Excelente texto, Pablo. Não esta na hora de um Round exclusivo sobre o Playstation não?

    Até.

  27. franchesco disse:

    Acho que por causa dessa explosão de pirataria com o PS1 e novamente com o PS2 a sony seila deve ter criado um sistema que detecta jogos piratas(acho que é isso,pois nunca vi jogos piratas de PS3) e deu um win no xbox quais os jogos custam 10 reais no camelo.

Deixe aqui seu comentário